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Abecedarianos Vivo a ditadura da língua prematura ainda em minha boca já se manifestava ambígua na palavra mal pronunciada, oca. Me excluía do que eu seria mais tarde me exilaria, agora, de outra forma se não da cultura determinada do norte ao menos da ideia sem acento que prevê a norma. Se bem que ainda que domine a língua imperial me condene de forma sublime a possuí-la apenas de forma artificial a arbitrariedade insigne me exclui sob o disfarce cultural.
Escrito por John às 20h44
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Para Ártemis, o meu amor! Deixe eu te contar uma história mas preste bastante atenção eu não sei repetir igual. Eu estava vindo pra cá e pensei em te comprar um agrado, mas não tinha cartão, também não adiantaria ter não se vende poesia. Se vendesse eu não poderia comprar sextilho nem soneto e ela nem teria rima, meu limite é pequeno, mas seria com muito amor, do fundo do peito!
Escrito por John às 20h27
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Haikai I
Não mais a Guerra Cansei de ser soldado. Vou ser Estátua.
Escrito por Henrique às 19h31
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Rosa
Rosa... Rosa da roça,
Rosa do mato,
Na roça, Rosa sempre teve casa que fosse sua,
mas na cidade Rosa disse-me um dia:
Aqui eu tô comprando a casa que nunca vai ser minha!
Rosa do mato que tem verdura, fartura, disse-me outro dia:
Lá o leite é bom não é ralo como o daqui...
Disseram para eu trazer minha vaquinha...
E você Rosa?
Se pudesse trazia, dormia no pé da minha cama...
Rosa! Gosta mais de bicho que de gente?
Não meu filho, gosto do mesmo tanto...
é que criação, a gente panha amor!
Não confessou, mas continuou a falar de vaca, já de gente....
Escrito por John às 14h01
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Relógio
Incansável repete-se o relógio. sem sentir do tempo o pedágio. Sem saber saudades e preságios. Aponta para as mesmas horas.
Ignora que uma única vez Heráclito e o Rio se encontraram.
Adágio e aresta do tempo.

Escrito por Henrique às 11h11
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Babel
As máquinas falam a língua dos homens. Os homens, a língua dos anjos. Todos falam, Ninguém há que escute.
O cupido brinca de esconde-esconde num descuidado jardim que já foi Eden.
Allan, guarde uma maçã para mim.
Escrito por Henrique às 07h21
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Madona Negra
Às vezes uma dama negra,
Nos diz que tudo é vago,
Extremamente vago...
E na manhã quando o sol arrisca alguns raios,
A cidade acorda devagar,
E se vê que os velhos correm,
Enquanto os jovens vivem...
Sempre passa pela rua alguém
Sempre passa alguém por mim,
E eu penso...
Deus, como somos sozinhos,
As pessoas passam por mim....
E eu, fantasma...
Não as reconheço....
A singularidade é justamente ser desconhecido
Me olho no espelho por alguns minutos,
O homem que me olha não sou eu,
Sei lá porque, eu olho o meu olho,
Mas ele não me olha...
Ou não me vê
Sinto que minha mão é fria...
Escrito por John às 12h34
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Continuação da poesia anterior
Sinto que minha mão é fria...
E os homens que passavam pela rua
Não me disseram oi... nenhum deles,
Como é vã a esperança...
E a visibilidade é ficção.
E os meus olhos Deus?
Porque não me olham...?
Sou singular em mim mesmo!
Eis que toca o sino,
Que soa a buzina,
Que há o barulho de motor,
E o dos tambores desritmados,
E dos ônibus e carros,
Das pessoas que falam sem parar,
Quanto barulho se pode ouvir no mundo?
E mesmo assim eles não simbolizam nada...
E por pensar que o som que se propaga não simboliza,
Que a luz que vejo é escuridão,
E que meus olhos me ignoram,
É que sinto uma leveza como se pudesse estar pendurado apenas por um fino fio,
A morte?
Solução de inutilidades...
- A alma é realmente leve!
Escrito por John às 12h34
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Outra Fome
Minha fome tem
Fome de mim.
Minha fome me consome
Eu não a sustento,
Nem mesmo ela se sustenta,
Ambos somos insustentáveis.
Minha fome, é a fome da ansiedade
Que não passa, que sobrevive a sombra,
Minha fome tem fome de
Ansiolíticos, anfetaminas e antipsicóticos.
Minha fome come meus dedos
E me desgasta.
Minha fome,
Ainda
Tem fome de mim!
Escrito por John às 21h02
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Fome
Minha fome tem fome de si.
Minha fome a si mesma se consome. De si mesma se alimenta. A si mesma se sustenta.
Só faz crescer minha fome jamais saciada de si mesma. Jamais de si mesma satisfeita.
...por fim há de devorar-me. E seremos um: minha fome e eu.
Minha fome tem fome de mim.
Escrito por Henrique às 20h45
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Carmen
Ave de mau-agouro. Vai-te. E já vais tarde. Faz teu ninho em outro peito.
Filho da boemia faz tua mala e parte. Vá e não voltes cedo.
Melhor: não voltes.
Meu coração anseia, necessita e merece dois ou três dedos de paz.
Escrito por Henrique às 15h50
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Noite Branca
Foi uma noite produtiva. Tomei um poema e algumas resoluções.
John e Henrique
Escrito por Henrique às 19h15
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Solidão
Debruço-me sobre o parapeito da janela, sobre a cidade, sobre mim mesmo. (O mundo, talvez, exista apenas Para que eu o veja.
Contemplo a paisagem de faces desconhecidas, de rostos uniformes uniformemente (des)iguais. (Variações infinitas de um mesmo tema: o rosto alheio, o que não vemos nem no espelho nem em nossas lembranças).
Procuro por um rosto Que não está lá.
Procuro a cura que, talvez, não haja para um mal que, suspeito, não exista. Atrás de mim, um espelho me duplica (somos duas solidões...)
(Mas sinto que mais acima, outro rosto me contempla e talvez, o mundo e eu, existamos apenas para seus olhos ubíquos).
Escrito por Henrique às 10h34
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Insônia

Os Fantasmas estão aí...
Uma angústia estranha enche o meu peito vazio,
Quanto tempo se desperdiça nesse mundo?
Se é nas noites vazias, cheias de Fantasmas,
Que se produz o quadro mais bonito...
Hoje Jupter trocou Ganimedes por medonhos Magos Negros,
Eles passeiam sorrateiramente pela casa,
Não os vejo, mas posso sentir o peso do ar,
Eles sussuram ao pé da minha orelha,
O sol me apresenta alguns raios tímidos,
É tarde....
Os Fantasmas já fizeram o trabalho!
Escrito por John às 05h50
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Diálogo Hipotético entre a Sombra de Borges e seu reflexo no Espelho
- Para mim, o único pecado é a indiferença. - E isso, o que me importa?
Escrito por Henrique às 21h08
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